segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Apesar da gente...

A vida, de todos os cantos e cidades, segue espremida, desatenta, bem distraída, mas insiste em meio à fumaça, à tua desgraça, se ela só quer viver no meio de gente e, apesar da gente, a vida não quer morrer.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Insônia


Insônia das loucas horas, sua neurótica! Não se cansa de rir de mim, do olho encarnado, do rosto branco e cansado, do pensamento amassado e fugaz?


Vá dormir, pare de fazer barulho, de gerar entulhos, e bons sonhos, eu a perdoo, sua imatura e errante mulher.

sábado, 22 de janeiro de 2011

A frase




Quero uma frase pequena, sem a complicação de uma vírgula, que ela me siga em círculos e me diga boa tarde, que diga quase tudo no escuro do meu juízo louco.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Covarde



Ah, covarde, esta lua de marfim que se joga entre mim e você e, destarte, deixa pra lá, se não cabe tudo, o que a gente deve fazer, o que se deve sonhar...




E o luar espreita a varanda, deitando-se na cama, e a lua, destarte, bem cá, emudeceu até a língua do meu pensamento, coisa única de instantes na plenitude do momento.




domingo, 16 de janeiro de 2011

Acho


Acho beleza no melancólico e no feliz, no claro e embotado, nas antíteses e sinônimos que se completam, nos quebra-cabeças e retalhos, pedaços de vidro e sorrisos, do todo inteiro e do nada- gosto mesmo de tudo que a vida me traz, ela canta e brinca, e ainda sou sua criança cor-de- rosa.

Esperança




A esperança é a última que morre, provavelmente enforcada pela opressão dos fatos.

Luana ( Ao niver de minha filha)

Luana é flor rosada de oito pétalas, oito velas, oito anos, sal e luz , menina amada, cheia de perfume, estrelinha sorridente da minha branca janela.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Inesperado


É o inesperado-sincronizado da vida que mete medo. Arrumamos nossos dias como se fossem roupas num guarda-roupa velho e trancado,como se a chave fosse só nossa.Para viver,precisamos da falsa sensação de controle.É a ilusão pela ilusão,e tudo fica doce.

Amor autenticado


O amor não é autenticado feito documento em cartório, mas é coisa de fé, é pelo gosto que se tem na boca e no pensar.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Mariposas


Ah, as mariposas das chuvas, da busca da luz, de Guimarães Rosa, rondando espaços, à espera de algo - O que querem, afinal, as mariposas? Decerto, curiar feito criança, espreitando o bicho-homem no clarão das lâmpadas, fingindo ter frio e medo do escuro.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Libélula ( Vi uma libélula sob a chuva de hoje...E ela brilhava...)



A libélula, cheia d´água do céu, voando lépida, tão apressada num brilho prata ao vento, parecendo jeito de véu, virando noiva na chuva.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Choro de luz


Fragmentos de estrelas flutuando no mar, sob a lua cheia, faiscando a poesia, e já parei por aqui, de olhos ofuscados, tamanho brilho insano num choro branco de luz.

Meio lagarta


Estou meio lagarta, não aquela lagartixa que meneia de medo, mas a lagarta caleidoscópica e cristalizada na espera paciente pelo voo de asas singelas, numa alma metamórfica, para bem mais longe, bem mais que a poesia ou toda fantasia, longe,longe...


Só não me pergunte aonde irei parar, se não sou mais a mesma, se o ontem não é mais o hoje, se o agora é a borboleta.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Som do meu calado


Eu não tenho mais palavras, mas apenas o silêncio tocando a alma, se os fonemas se renderam , se a poesia resvalou num bis, se eu disse e desdisse tudo o que bem quis; porém restou o som do meu calado: sinta-se, agora, secretamente amado.

Flores caídas



Flores caídas na calçada... Ah, foi a chuva forte e tão desastrada, foi a sua tragada rápida, aspergindo perfumes, empurrando pétalas ao longe ,desenhando a calçada na cor molhada de flor que, agorinha, a menina de rosa pisou.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Borboletando


Eu me libero pelos ares, borboletando um amarelo, singela na cor, e tudo se faz perfeito, coisa boa de amor, e o que é de direito, eu voo e vou.