terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Ama tudo...

O amor ama tudo- Inclusive, o ódio.

Alumiada

Pedi luzes, e me deram estrelas, vagalumes e até relâmpagos. Sinto-me alumiada e cheia de sorte tanto na poesia como na vida que a cada dia se esvazia.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Janelas

Pelas janelas, um mundo de calçadas e asfaltos, a varanda de outro prédio; a mulher, lá longe, cheia de tédio; mundos inventados, debruçados e coloridos sobre janelas metálicas,de madeiras ou vidros.

Olhos de janela, desejos azuis deitados e vermelhas esperas, reflexões cansadas, histórias mal- contadas, a casa que você inventou e amou, além do pensamento ao lado, ainda quente, sob a árvore que sombreia.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A libélula e a menina

Uma libélula caída na beira da estrada...

A chuva foi forte, mas para a menina não foi nada.

Colou as asinhas da libélula transparente, e com uma boca cheia de dentes , disse:- Papai, vamos levar a bichinha ao veterinário?

O pai, desconcertado, assentiu e riu... Descolaram a cola da menina, e a libélula não morreu... Continuou prateando os bosques de chuva...

Mas a cola bem que serviu... E a menina riu... 

Autoboicote ( Gente que não sabe ser feliz)

Jogaram- te no túnel da vida , e sem a menor permissão ...E viver é mesmo a agonia recriada- tu não sabes nem te alegrar demais...Isto te cheira a morte iminente ou a teu maior boicote- complicas, ser vivente, se  achas indecente viver, cheio de para quês...  E morrer...

Procura

Gosto de revirar nadas e continuar com coisa nenhuma.Caçar conversa com tudo que existe ,mas tudo é birra....Bom não é achar, mas a procura lépida de criança.

Moralista

O moralista é, antes de tudo, uma grande farsa.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Apenas se é...

 Uma música me ganha, às vezes, sem um motivo óbvio. É como um amor que não se explica- apenas se é por uma força desconhecida.




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Eu tenho ....(Homenagem a Drummond)

Eu tenho as verdades das máquinas de ferro, dos desejos diáfanos e sinceros, das bocas sedentas...

Tenho as cores dos sóis ,de apaixonados lençóis, dos sonhos de grandes homens...

Tenho, em mente, o grito das infâncias, os demorados olhares da velhice, árvores e sombras...

Tenho, em mim,as invenções de um mundo nas Gerais, nas montanhas de um azul de Drummond, de um amor bem morrido de poesia.

sábado, 20 de outubro de 2012

Medicina

A dor, a miséria e a insignificância humanas desembocaram na Medicina. Deus deu a anatomia da criação e a mortalidade , assim como um sopro de consolo e dignidade que se fez ciência.

Os giros do mundo

Deixe o vento branco e o pó partirem para algum lugar...Alguém tem que sair, algo tem que chegar.

Ninguém segura os mundos-eles não têm chaves ou gritos de ordem, os mundos giram por si, e o vento não para num olhar : deixe-os, quase sem mãos, girar... E mais de uma vez, o pó fino se assenta em paz, chegando, girando, porque não precisou de você.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sonoridades

Música é uma sonoridade íntima demais de nossas viventes horas...Acordamos e dormimos cheios de sons... Assim como falar, escutar música é um processo evolutivo, quem sabe, para a própria infinitude humana.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Impressão

Eu tenho a bagagem dos dias que já morreram e a incerteza pueril dos dias que virão...Eu não as tenho, na realidade ė só mesmo esta impressão.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Queria...

Eu queria uma palavra aguda que golpeasse o vento da esquina, queria um cheiro de flor que acordasse a avó do Emílio, uma nova cor que dilatasse a pupila da criança, um novo amor que o calasse e o inundasse de poesia...

Queria coisa nova,velha, quente ou fria; sussurros que os surdos ouvissem, uma música estranha que acordasse os mortos, queria tudo que se pode querer... 

E eu aqui a escrever...Não, não quero nada, só quase tudo da vida e do luto para mim e para você...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Encantamentos

Para que razões demais, se elas adormecem encantamentos? Nem de tudo preciso ou quero saber...Sou mesmo adepta da ignorância consciente.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Crepúsculo

Gosto do verde desmaiado da árvore quando o sol se esconde... Uma imagem sóbria, passiva, preparando-se para a reflexão do porvir noturno.

As cores ficam mais sėrias... Tudo porque o sol deu tchau, e o amanhã já vira outra dia, de um outro verde, quem sabe na mesma árvore...Daí, talvez a quase-tristeza da cor incerta e encrespada no que se chama crepúsculo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A seca na sexta economia mundial

E o Sertão virou mar- de ossos,  de carne malcheirosa, espaço aéreo de urubus... Tudo ė secura, desde os olhos até o céu , com a dignidade no pacote, sem fantasia ou véu.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Monteiro Lobato e o Brasil de hoje

A malícia humana quer embotar a fantasia dos puros de coração, dos anjos que escrevem para as crianças, como o nosso Monteiro Lobato.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A vida e o erro

Viver ė achar infinito no curto, ė um erro  geométrico, matemático ou dimensional... A palavra que houver...

 A vida ė a nossa melhor ilusão ... Não ė coisa para olho de engenheiro, mas de poeta em vão...A vida segue no erro ; então, está mais do que certa...

Poema de Luana ( À minha filha)

A menina não rima com boneca , mas com a palavra  rima...  

Menina ė poema, ė tema de Vinícius , ė rosa e cheira a flor...

Menina só lembra coisa linda, mas não rima com tudo que falei... Rima com rima...E terminei o poema que minha filha pediu: -Mas parece que não terminou, mãe ! 

E eu continuo achando que a menina pede ajuda para Luana, pois não viu muita graça, rima ou fim na poesia que alguns adultos teimam em fazer...

O menino não sabe que ri...( Ao meu sobrinho)

O menino não sabe que ri... Ele é o próprio riso, nasceu com ele, täo natural, coladinho na bochecha...

Dentes pequenos, olhar lúcido, boca curta e livre... A infância sem cadeados, e a tarde cai encadeada com a noite, e o menino corre sem pensar, no quintal de mangueiras, feito gargalhada solta...

Bola de Gude

Era uma vez, um menino com olho de bolinha de gude- olho que brilha de sol, brilha de lua, olho verdinho, meio azul, que na sombra ilude...

Bola de gude... E o menino brincava de cor na sala da vovó , testando o chão mais uma vez, tac-tec, e seu olho girava de bola, bola pra frente...

domingo, 26 de agosto de 2012

Artistas e responsabilidades

A responsabilidade política de um artista é tão grande quanto a de um jornalista.São grandes comunicadores que penetram no intelecto do povo. O caminho que um artista escolhe tem grande influência em pessoas indecisas, ignorantes e influenciáveis, podendo mudar destinos e multidões... Por isso, todo dom artístico cobra um alto preço ao seu gênio predestinado, respingando em sua própria imagem os frutos de quaisquer decisões.   




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ponte Estaiada

A Ponte Estaiada toda de vestido azul, fatiada na cor, pôr- do- sol ainda retalhando o concreto, e o abstrato do olho agradece a beleza da ponte que se faz dama da noite- E um azul perfeito se esparrama na minha cidade.

domingo, 19 de agosto de 2012

Invenção


Contando as horas a fio enquanto o dia inventado não vem, enquanto o tempo certo não tem, invento este, o da espera, só na mais louca vontade de matar o tempo, envenenar- me com falsas histórias sem finais, correr pelas esquinas de ventos atrás, quebrar o ponteiro de prepotentes relógios, desdenhar tudos e somar nadas, contando peixes vivos e mortos na beira do rio ... E nao se fala mais nisso... 


Cada um com suas ilusões de papel, rasgamo-las no dia em que a realidade se travestir de invenção, pois o homem que vive não sabe se tudo que existe, de fato existe‏...

domingo, 29 de julho de 2012

Eita vida besta, não é, Drummond? rsrs

Eita vida besta de sábado e sexta, de um domingo calado, calor escaldado, de um sono qualquer...


Eita vida estreita de um sorriso largo, do sol insistente, da nuvem passageira, de uma menina faceira...


Eita vida besta de quem escreve só para rimar, coisa antiga para explicar, gente besta sou eu- poetizando, talvez, para mais nada; e você,  seu besta, que ainda me lê, hein?

sábado, 28 de julho de 2012

O milagre de Sarah Menezes

Eu, que dificilmente sou ligada a notícias de caráter esportivo, afirmo que já vi, inúmeras vezes, a judoca Sarah mendigando apoio e patrocínio como se fosse uma pedinte de rua. Agora, depois de um milagre irônico da perseverança pessoal , políticos- parasita pegam carona do mérito alheio, verdadeira fogueira das vaidades e de poder num espetáculo deprimente, mas esperado.

Sarah, antes de tudo, venceu a indiferença política em relação aos cuidados básicos com a juventude brasileira... Mas nem tudo é indignação- que esta alegria que nos foi dada impulsione políticos e a sociedade civil para um novo ajuste de contas- incentivar o esporte, a cultura e a educação. Não queremos milagres, queremos boas consequências naturais de bons atos! E viva a juventude, Sarah!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Fatalidades

Tenho, dentro de mim, aquele fatalismo de telenovelas, se a vida tem a hora louca e exata para tudo- chegadas, despedidas, perdas e ganhos. Independentemente do que faz ou pensa, existe um quê de sustos na existência, pois você não manda, sequer opina- uma ditadura que doma o homem desde a sua estreia no tablado.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Corpo e Alma

Acredito que a decadência mental é muito mais grave que a física. A pessoa é o que sua mente condiciona. Um espírito saudável ajuda a libertar um corpo doente, mas o contrário é sempre mais sofrível.

domingo, 22 de julho de 2012

A neocensura

Em pleno Brasil do século 21, querem calar a tua boca e apagar a chama da tua alma. Querem a cegueira, a surdez, a omissão e o medo... E tudo desemboca numa tal ignorância premeditada. 

sábado, 21 de julho de 2012

O assalto

Hoje fui assaltada por uma palavra indignada. Após desferir um golpe no meu estômago,gritou: "Falas qualquer coisa, senão eu te mato!" Nervosa, disse-lhe:"Que coisa!" Mas ela retrucou: "Coisaste muito bem!" E foi embora, rindo da falta de criatividade que só os covardes criam.

Homem- palhaço ( Impressões sobre a linda arte de Cláudio Souza Pinto)

...E um homem lúdico se desfaz entre quadrados, retângulos e losangos, monte de pano equilibrando um nariz pontiagudo...Um palhaço geométrico, rarefeito, vivo nesta brincadeira de fingir que ainda vive...

A tão necessária ignorância

O homem tem o privilégio de não entender tudo. E é assim que a humanidade evolui, e não enlouquece de vez.

Somos mulheres

Mulher de cores, de cuidados, bem-estar, sentir, amar, de ser sentida.


Somos flores e cheiros, pele, sorriso de canto de boca, luzes e espelhos, desleixos e zelos. Some tudo isso à discricão,mas ao escândalo normal de ser mulher. Somos muitas, e tão raras, somos o que bem se quer- enfeitamos até mesmo este louco e sisudo mundo, oh mulher!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Inteligência

A inteligência humana deve ousar, servir ao outro, materializar-se em resultados.Não pode ser cretina, virando a idiotice dos vaidosos.

domingo, 24 de junho de 2012

A folha e o vento ( Haicai)





A folha verde se dobra ao vento...


E o vento sopra na folha verde- Fuuuuu...


Que só não apaga o fogo do sol.







sábado, 16 de junho de 2012

Gerúndios

Adoro gerundiar, já até disse a vocês...Tenho sempre aquela sensação de que estamos indo, prosseguindo, acontecendo, coisa que não para no momento, sabe? Um processo que continua, que chama a atenção por si...Os gerúndios me encantam, fazem com que eu esqueça das normas cultas da língua, mas eles falam a minha...Então,  gerundiando cada vez mais gerúndios, vou vivendo escrevendo, e você me aguentando e lendo.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Esquartejamentos

Psicopatas adoram atrocidades físicas cirurgicamente calculadas, como os picadinhos de gente, os velhos esquartejamentos.Nada mais chocante e cruel, mas lembrei, também, dos fragmentos de nossa dignidade como brasileiros- frangalhos de nossas instituições,  nossa cultura de esquina, imprensa ameaçada, direitos podados... Vejo que os nossos políticos- psicopatas esquartejam nosso país diariamente... E, para reverter a situação, só um trabalho árduo, de tijolo em tijolo, de sutura em sutura...Quanto tempo levaremos para cicatrizar tamanha agressão ao povo brasileiro? Ninguém encontra mais as pernas, sequer a cabeça! Alguém duvida de que estamos divididos em sacos plásticos de lixão?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Nem aí...

Ei, preciso voltar, parar em retrocessos, deitar em contrários, não querer desejar, deixando tudo assim, inércia de mim,  e que os nadas explodam na roleta do acaso.


Nem aí estou, durmo na paz de um travesseiro branco, no ócio mais acomodado, num sono forte e  pesado, fadado a mim...Nem aí- não preciso de mais nada hoje...

domingo, 10 de junho de 2012

Belo jogo

Não me salvo, muito menos você, tampouco o mundo...Estamos em perigo desde sempre...Nascemos para o imprevisível, correnteza para o iminente, enredos e rumos, descontrole do caos... 

Arrumamos para desarrumar, caímos para levantar, estamos na espreita louca de qualquer coisa- estamos vivos, e disso ninguém nos salva- belo jogo da vida!

Mais um bom dia...

No torpor de mim, chego a você , poeira de perfume, algo sem rosto, talvez muita história... E se não falha a minha memória, algum vulto branco, jeitinho de encanto, chegou mesmo tão brilhante- mais um dia que veio atrás da cortina, cinco e meia da matina, tudo de bom para fazer, antes que se deite atrás da montanha, alaranjado e cansado, pois mais uma noite acorda...

Arte x Sadismo





Somos sádicos com os nossos artistas- as melhores obras provêm de suas insanidades e dores. Para que o mundo evolua, alguém tem que sangrar.









domingo, 3 de junho de 2012

Provocação

A música define, ou não, os nossos instantes. Ou você sabe dizer o que se passa com ela, ou fica sem definições.  Provocando silêncios ou exclamações, jamais causa indiferença. A música veio ao mundo, gritando, para simplesmente provocar...Não vejo outros motivos tão óbvios.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ausências ou presenças?

Ausências servem para serem sentidas e respeitadas, ausências são auras e espíritos emocionais ao nosso redor ...Às vezes, nos dizem tudo e muito mais, brincando de vazios e encaixes, sombras e luzes.


Ausências nem sempre são doces, aquelas quase-fatalidades de quem ama nesta vida....E não se enganem- as ausências, seja de que jeito forem, nunca deixarão de ser presenças.Isto consola? Não sei bem...Talvez dependa de quem...

domingo, 27 de maio de 2012

Queremos rosas!

Queremos rosas de pétalas macias, escorregadias, perfumando os cantos das nossas casas, enfeitando jarros fortes e janelas abertas.


Ah! Rosas de cores incertas, cor-de- rosa, amarelas ou champanhes. 


A rosa do seu amor, da sua dor, da sua cor, tudo se faz rima agora- jogue fora, uma por uma, as pétalas da flor sob um céu azul, perfumando o vento, tocando o chão da calçada, virando poesia por tudo ou por nada, apenas pela alegria de ter rosas em casa, amor. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Desaprender


É disso que preciso- de um "desaprendizado",de uma ignorância mais ampla, de uma lucidez fosca e quase má.  Minha alma suplica por minimalismos, e prometi- nao faço mais as tais e loucas promessas para entender quantas coisas, se o que preciso , no momento, é de simplesmente desaprender e escorregar em um não sei o quê... Obrigada, também, por não me entender, se desaprender é preciso!

A comunicação e a escrita

Escrever de forma minimamente correta nao é questão de intelectualidade, mas de amor ao ato de se comunicar pela escrita.







segunda-feira, 14 de maio de 2012

E agora, Renato Russo?

Que país é este mesmo? Um país em que o trabalho com carteira assinada vira ofensa pessoal por não ser o bolsa-família,  onde a cor da pele determina ascensão profissional , onde o seu digno trabalho é punido diariamente. Um país pseudodemocrata  comandado pelos piores políticos, onde o povo morre nos hospitais, estradas, assaltos e no silêncio da esmola. Um país onde o populismo atingiu o seu grau máximo,aniquilando a democracia.  Um país onde tudo,mas tudo mesmo, pode ser feito pela manutenção de um poder totalitário e obscuro. 


O nosso destino maior- viraremos ignorantes pedintes ou cidadãos? Viveremos num país ou num lixão? E agora, Renato Russo?

A tal da felicidade-lady

A felicidade é a palavra do meu dia a dia, aquela quase como o arroz na mesa, sequer causa qualquer tipo de estranheza...Não, não a acho assim tão acusticamente linda...Apenas gosto de senti-la, não é bem um substantivo abstrato,  pois dorme profundamente comigo e acorda na xícara do meu café...


Só é triste quem fala sobre a  felicidade como a tal, com sentimentos não- pertinentes...  Será que isto é a própria tristeza? Achar a felicidade apenas um vento forte que assusta, e logo vai embora? Não dá para ser aquela brisa na janela de sua sala de estar? Ou o ser humano gosta mesmo de inventar problemas e pessoas, assim como o Fernando das heteronímias? A felicidade não satisfaz muita gente: faz- se um drama, pois a primeira é simples e discreta, uma lady...E nem  todo mundo gosta disso...E você? Mas também acho que ninguém tem culpa- independentemente dos fatos, existem seres tristes ou muito felizes...É o tal do grosso e inexplicável mundo contra uma tal e lady- felicidade.

sábado, 12 de maio de 2012

Sacuda! ( Aos descrentes de plantão, creiam!)

Sacuda o vazio e, quem sabe, venha algum tudo de que precise, algum tudo que não entenda, algum tudo que o arrebate, algum tudo que não seja nada, e que de tão simples, tudo seja, mas apenas sacuda o vazio, e que não fique assim tão frio quanto a sua própria descrença.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ignorante

Nunca é uma palavra assustadora, absoluta, excludente, antidemocrática...Acho que nunca direi nunca...Só nestes meus poemas de sempre. Sempre também é  uma hipérbole maníaca, abre as pernas para tudo que é fato, generaliza sem dó...Sempre e nunca têm o mesmo DNA, são mesmo duas irmãs prepotentes.Prefiro dizer: não sei o que dizer, sequer tenho grandes certezas nesta vida- vivo  melhor numa consciência ignorante de mim.

Igreja São Benedito

Benditos os pássaros da Igreja São Benedito- a esmo, em círculos , oblíquos...Cantam alto no finalzinho do dia, entre carros impacientes, entre o asfalto escuro e quente, entre mim e você...


O pôr-do-sol se esgueira nas andorinhas da igreja, onde Deus dança distraído e conivente- Igreja São Benedito, coração da minha cidade, canção revoando a noite azul numa mágica suave, fim de tarde, e tudo se faz são e bendito...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Injustiça

Toda injustiça é sempre mais um homicídio cometido. 

domingo, 6 de maio de 2012

Lua Cheia

A lua é uma espécie de luneta de Deus, encantando-nos e observando todos nós de longe...É a lente prateada do Criador...Ah, esta lua cheia, luneta de Deus, perigeu, e o dia não morreu: fez-se  branco sol em plena noite... Linda!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Musicará

A  música sobrevive a nós, aos apocalipses ,às palavras...A música sobrevive a tudo, porque é a própria sobrevivência do que se move, do que se fala, do que se sente, do que faz barulho...E, para a felicidade do mundo, sempre musicará aquela música...

sábado, 14 de abril de 2012

Olhos de cera

Olhos de cera marrom, derretida, brilhando ao longe, sob o sol cerrado, e que olhos lindos, meu Deus! 

E eu me liquefaço feito cera no fogo, ardendo, morrendo na cor  absurda e, na sombra sobre a calçada, o sol já perdeu o rumo,  cintilando, meio céreo, marrom de olhos.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Deixem seus filhos em paz! ( Não à alienação parental)

Filho não é fantoche- precisa de pai e de mãe, dos nomes e das gentes de suas famílias. 

Filho não é o seu espelho, é um ser que precisa de cuidados, verdades e afagos. 

Filho não é fuzil, não é fuga, não é culpa, é filho...

Aprenda definitivamente- filho só quer ser amado em paz, apesar do pai ou apesar da mãe, nascendo sem o peso dos malresolvidos, e que o deixem assim, longe das guerras que os adultos criam. 

Postagem

Nada tenho para postar...Eu te peguei, hein? Aguentas aí o meu vazio e o frio da incompetência para atualizar um blog? Tá difícil, não é? 


Sei que estás decepcionado - e eu com isto, mulher? Nunca mais volto para este teu lugar inepto ...Lerei um escritor de verdade. Fui!  


Oh, tenhas paciência!  Juro que não mando nestas meninas lépidas, as letras! Hoje elas estão em greve, mas só comigo, poxa! Voltes sempre ou nunca mais...Agora deu medo! 

As Saudades


Existem as doidas saudades e as saudades doídas...Dizem que as últimas são uma ausência danada!

domingo, 8 de abril de 2012

Noite de Páscoa ( Crônica)


 Era uma noite de Páscoa, tênue após uma chuva educada, um soprinho frio do tempo, um grilo cantando ao longe...A noite estava perfeita para um bom recomeço, trabalhar amanhã com uma energia de quem descansou na rede, na cama ou no chão...


Os hedonistas realmente se lambuzam no feriado com suas leituras, músicas, reuniões familiares, orações, refeições, filmes... O homem precisa de seus escapismos, do faz- de-conta, pois a morte não avisa com certa frequência, e o sopro da vida é quase imperceptível, só para quem gosta da arte de estar vivo.


Quem sorri no feriado também sabe sorrir no seu dia a dia, pois seu trabalho não é fuga ou desculpa para certos assuntos difíceis ou dolorosos. Aos que têm alguma crença religiosa, um período bonito para agradecer a energia ganha e as bênçãos em família...Semana Santa é uma espécie de Natal de início de ano- cheira muito a família,viagens, mas também a chocolate, velas acesas, vozes ungidas ao longe.


Só sei que a noite de Páscoa está mais linda que o dia...E, por incrível que pareça,deixei meu headphone encostado para ouvir aquele grilinho insistente...Não precisei viajar para lembrar que uma boa noite de livro se faz completa com apenas um grilo.


sábado, 7 de abril de 2012

O ex-noivo ( Crônica de 01 de 2005)

Era uma tarde com nuvens de ferrugem, clima quente e seco, meus lábios já cheios de fissura. Só pensava em uma coisa- água, água!


Fui àquele restaurante da esquina, cheirando a peixe,  mas só queria uma mineral sem gás. Vi um homem em pé, com sobrepeso, aloirado, já nos seus sessenta, pelo menos...Imaginei como ele deveria ser aos 30 ...Observei sua mão esquerda- 2 alianças, um olhar tácito, seu café era forte bem de longe.


Dei boa tarde ao vendedor, e o senhor aloirado me fitava, meio intrigado.Não, não era um olhar de interesse, mas de surpresa...Tenho a impressão de que sou parecida com sua ex-mulher, é isso, só pode...Ele me olhava tanto de soslaio, que me incomodei...Chegou a mim e disse: - Você é parente da Iracema Melo? Então, eu fiquei surpresa: -Sim, com certeza! Sobrinha.


-Notei pela tamanha semelhança...E ela, como está?


-Aposentada dos hospitais, duas filhas lindas...Infelizmente, enviuvou há 3 anos.


-Que pena! Eu também! Diga a ela que sou Lúcio, seu ex-noivo.


-Ok! - Não consegui prolongar a conversa, fiquei muito sem jeito. Pensei em quantas milhares de vezes ouvi falar neste nome, no dia em que ele decidiu romper o noivado em plena década de 70, em prol de um doutorado. Minha tia nunca o perdoou, casou  apenas para formar uma família, enterrando seus sonhos de mulher mais antigos.


Fiquei imaginando- Este aparente vazio de Lúcio seria pela viuvez ou realmente sentiu a falta de sua ex-noiva? O destino prega peças, não sei se digo o que vi, não sei...Deixo um final flutuando ou caço conversa com o destino?


Minha tia ri para mim, seus olhos negros lampejam ....Decidi contar :- Ué, filha! Mais de 34 anos! Você acha que ainda lembro dele? Seu tio foi meu verdadeiro amor, foi convivência, pura realidade!


Notei que Tia Iracema falou com uma voz meio embargada, retirando-se mais cedo...Fiz bem , fiz mal? Não sei, mas acho que adoro caçar conversa com o destino, mesmo o alheio...E notei o óbvio- Ela não o esqueceu... Achava que a realidade podia moldar sentimentos profundos, mas nem sempre...É uma romântica incurável e não dormirá bem, pelo menos hoje...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Finais e inícios

Eu faço das cinzas, do pó laranja, da ferrugem e mofo meus quadros mais lindos.Os finais se convertem em inícios, e as sombras realçam a luz. 


Gosto dos contrários e dos inevitáveis, dos bons acidentes e de falsos finais, pois tudo ainda continua, e você acha que acabou, criança? A arte são restos assustados, inclusive a de viver...

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pink Floyd ( foto by Mayara Carneiro)


Música que não caduca, que não cria fios brancos, e sim, coloridos, cheios de luzes.

Mentes sãs e estranhas, a arte reclamada pelo limbo do tempo, música e entranhas, o tudo e o nada que não se esgotam: misturam-se ao humano, aos sonhos e cantam.

domingo, 25 de março de 2012

Inutilidades

A inutilidade, esta tal ferramenta de neon tão exata sobre a nossa incompletude... Você pensa tão completamente, como quem fez de um tudo, mas o próximo dia diz que não.

Não pense que acabou- você continua sendo, e o mundo indo...Com ou sem você, ele será...Mas, e aí? Nunca sentirá que a sua missão é só esta, mais uma das anedotas inquietantes da vida, pegadinha mesmo. No fundo, somos uns inúteis- úteis, se tive até tempo para pensar neste vazio da obviedade, sem mais...

sexta-feira, 23 de março de 2012

Tac-tic

O meu tempo para na hora em que quero ou menos espero...É um tempo sem ponteiros de segundos, não envelhece, não cria datas ...É um tempo sem tempo, sabe? E o planeta para junto com ele, congelando olhares, sorrisos e lugares.

Minha mente mente, eu sei, mas todo mundo tem seu tempo de brinquedo, apenas um tic-tac onomatopeico do livro da menina...De vez em quando ou quase sempre, desapontar relógios é necessário: Tac-tic, viu?

quarta-feira, 21 de março de 2012

Imaginação

Eu também sonho com coisas que não existem... A minha imaginação escreve, assim como a sua...Só que uns esquecem o que sentiram ou viram, e outros levam a sério até palavras soltas e voadoras - loucas.





Eu continuo sonhando, e até as palavras sabem... Com coisas que não existem, mas eu acho incrível- existem palavras para estas coisas! Imaginação- talvez seja a melhor, a palavra preferida das crianças; então, fico com ela e continuo sonhando...

sábado, 17 de março de 2012

Riso

O riso é tábua de salvação, de humanização, torna-nos iguais no humor e na afeição. É vida mais saborosa, é alma que ainda acha graça de nossa limitante condição- a tão humana.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A boa música


A boa música é a poesia completa, pois conta com aliados muito mais fortes - a alquimia dos sons com a alma e o cérebro.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O menino que gostava de verde (Prosa infantil)





    Sua bola era verde, seu carrinho, também.O fato é que o menino loiro gosta de tudo que é verde.Imagino como ele se encanta com as árvores do sítio, com a água do riacho, seus olhinhos no espelho, lápis de cor...







E a criança levada, certamente, cismou- verde em tudo, chora até se mudam a cor... Caprichos de criança, ensaiando sonhos de um adulto: - bicicleta azul, não; verde, mãe! 
E não se falou mais de cor, ninguém precisou entendê- la- O verde se fez menino, feito lodo em pedra. 

domingo, 11 de março de 2012

...Mas a fé continua...


Existem coisas em que não acreditamos mais, mas a fé continua, e o recheio do bolo confeitado, também!

Distraída

Alegria não dói, é um sorriso fácil, é mais um dia parecido, cheio de poente e noite azul .

Alegria é natural, animal, até meio sensual... Nasceu do gingado da vida e, por mais que venha qualquer coisa de ferida, sofra primeiro de alegria, se você foi a escolhida por nascer e viver tão assim, displicente e distraída.

sábado, 10 de março de 2012

A trama psicológica do jarro ( Quem lê Clarice, os textos se debruçam na loucura)









Eu sou um jarro vazio, sem flores, emplastrado de barro por fora, frio, mesmo saindo do que se chama forno, quieto na sala, sem nenhuma função...









Coração não há, sentimentos sei lá, mas o jarro me olha de longe, esquizofrênico e talvez sofrível? -Eu estou aqui por quê? Ele me pergunta, mas eu não sei respondê-lo, nem as flores tenho em casa! Matando o jarro de desgosto, ele só me olha de revestrés, e eu pensando:












-Cada um com seus problemas...Se pessoas sofrem, por que não o meu jarro?












Hoje eu estava sádica, até mesmo com simples objetos... Eu queria um sopro de vida, assim como o barro que tudo gerou...Eu me calo...Amanhã, comprarei flores...Estou arrependida, se não suporto ninguém sofrer, até mesmo aquele jarro inútil...Flores vermelhas ou brancas, o que acham?

Abstrato

E o que é o abstrato? Um autorretrato, um escapismo necessário ao homem que deseja ser mágico?

Pés no chão , pés na lua, os dois juntos são mesmo necessários? Pois o homem sonha nos sons, nas palavras, nas cores e formas...Retratos de uma humanidade que precisa viver inventando e, mesmo nesta grande mentira, todos os seus pecados serão perdoados, pois tudo isto ainda se chama arte.

sábado, 3 de março de 2012

Orvalho


E o orvalho se faz gota, outra, outro dia, e mal o sol acorda, é a lágrima que brota risonha, feito milagre no braço da árvore.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Entulhos

Entulhos de mim no depósito do edifício ao lado...Difícil não vê-los: restos até de pele, pensamentos e de palavras não ditas...

Estranho, mas a cada dia tantos pedaços , e eu juntando as sobras, sempre formando qualquer coisa...Que coisa! A gente sempre se perde no meio do caminho, no fim do dia, na sensação de que algo nasceu ou morreu de novo, o que era meu ou seu...Mas ainda sou esta surpresa achada , e o edifício bem ao lado, lixão de mim, um expurgo, um tchau de restos, uma multidão de entulhos olhando de soslaio.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Eu, hein?

Por favor, não cobrem de um poeta ou de um eterno sonhador o que eles acham do amor... Nem sempre eles têm a resposta- sabem mal dizer o que bem passou, se algo restou ou mesmo morreu, mas sem entender bem o quê... E o que é o amor? Eu, hein?

Na minha cidade...







Nossas origens brincam, seja na forma de um perfume, de música no canto da sala, de locais antes frequentados... É a veneração do hoje para saudar o que passou, cheirando a chuva em flor, amando as horas correndo, escorrendo em riste bem nos olhos...



A sombra e o verde, locais preferidos, os queridos para se estar e amar, esquinas e ruas, rios fluindo e se encontrando na minha cidade... E tudo me faz voltar, faz pensar no que sou hoje- valeu a pena viver a pleno... em Teresina!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Certezas...






Às vezes, não tenho, sequer, um porquê para acreditar, mas não reclamo, se tenho a suficiência da dúvida, que não deixa de ser um tipo de certeza.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Apenas fiquei

Não me diga o que fazer com este silêncio tão melhor, pois a vontade cala e nada diz ...Deixe tal coisa assim mesmo, só para nós dois...

Entre olhares, brincar de segurar ponteiros do tempo, segurar seu ombro - é aqui que eu fico, amor... Espere, eu não disse- apenas fiquei...

Para sempre... ( às mães que perderam seus filhos para Deus)


Mãe que chora pela filha de fios loiros, olhos amendoados, cabelos da mãe...

Mas a menina dorme sossegada num sono de bela adormecida e, de tão não esquecida, resvala num sorriso grudado no quadrado de pensamento, encenando mais um fim de dia, bom dia , mãe! Eu não morri, moro e durmo acolhida em sua alma e, para sempre, murmuro em seu coração feito oração- Boa noite!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Barulhinhos

Ouço o gritinho da menina, os passos agudos do tempo, o choramingar das águas, as petições da saudade. Eis o silêncio de que mais preciso hoje- barulhinhos, e são tão grandes assim!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Arte ( Pensamento)


A arte é um ciclo pertinente à história, resultante de toda inquietação e insignificância humanas. O homem apenas movimenta,contempla, reverbera, respira em meio à limitação da carne. A arte, no fundo, não é rebelde, mas fruto da resignação, do entendimento,da distração. O homem nasceu para a arte, e ela veio do simples porque não vence a morte, apenas a ludibria por alguns instantes...E os instantes se desdobram em eterno, dependendo de quem os sente. Daí, nasce o artista, e morre o intelectual - Arte é a arte da cópia, não existindo obra puramente original, exceto a vida que nos foi dada.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A pedra ou a perna? ( 90 anos de modernismo)




Virei gente de uma perna só - uma que vai, se a outra não existe, não quer nem saber dos descaminhos... É ... A perna... Parece a pedra do caminho de Drummond- Havia uma perna meio sem sentido, sentida e sem carinho - a perna...ela quer ir, mas uma outra não, virou descaminho o caminho de então- hesitação.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Brincadeira





Adoro quando o sol, o vento e as árvores brincam entre si- Brincadeiras de roda, esconde-esconde, pega-pega...




E mais um dia vai, e mais um dia vem no branco do vento, na laranjada do sol, no verdume da árvore... Apenas mais uma brincadeira do que se chama dia, do que se chama noite, do que se chama vida...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Moralismo



Uma pessoa rigidamente moralista perde o que há de melhor: sua própria humanidade refletida na alheia.