sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Varandas Natalinas

O homem cerca- se de beleza, é uma tal necessidade ancestral e quase indígena de quem vive a pedra talhada da realidade. Por mais que ela seja boa, precisamos de música, de um esporte favorito, de uma cor no rosto, de uma conversa de fim de tarde, de gosto bom nas papilas gustativas. O homem precisa de boemia, levar a vida na beira- mar, fingir que não é bem com ele. Quem estranha as varandas natalinas cheias de luzes  ofuscando você? É o homem dizendo que o seu espírito de vida é maior do que a mortalidade e tristeza. Provoco cores,  sustos,  sons e movimentos.
A vida é mesmo uma ilusão! E daí? Se adoramos enfeitá- la do jeito que bem entendemos. Feliz Natal cheio de sininhos, laços , abraços , dezembros, de qualquer jeito que o deixe mais felizmente iludido. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Luana e a abelha

A menina corria, empurrando os ventos da nuvens, sem freios ou medos, na calçada cheia de flor. Era um tal de pega- pega, se não olhar bem, escorrega... E de repente, no caminho, com uma abelha esbarrou. E a menina gritou, o inseto amarelo ziguezagueou e se escondeu sob a flor. Mas tudo terminou bem- Luana brincou até o poente cansar, e a abelha empacotou o seu mel. Tudo doce como sempre, tudo como a menina grande quis - um susto alegre a cada dia.

domingo, 17 de novembro de 2013

O sono de Luana

Enquanto os  fios de seda rasgam nuvens, o céu azula num profundo, e a menina dorme sem sentir que a noite enegreceu... E nem gemeu, não abriu os olhos, , apertou a  sua boneca com força e dormiu de ladinho... E a noite parda agradeceu... Luana nem teve medo do escuro, apenas sorria- estava sonhando com coisas cheias de cores, coisas pequenas, grandes e secretas das infâncias,  inclusive com estrelas azuis da noite. A lua ,daí por diante, aprendeu a lição- anda lentamente e na pontinha dos pés .... Tudo porque tropeçou desajeitadamente sobre uma estrela ,e Luana acordou chorando com o estrondo da bolota...  Um horror ! Ninguém do céu noturno terá pressa enquanto a menina dormir... Boa noite! Noite boa e longa de criança, sem lágrimas ou medo, Luana .

Bobo da Vida

O teu riso  diáfano, desarmado e aberto é coisa certa de um domingo repetido, o riso escorrega por entre dentes e gengivas escandalosas, e entrementes, o tempo passa sorrateiro, rápido e sem culpa. E sem dúvidas ou dívidas, o teu olho se contrai numa gargalhada frouxa de ecos insistentes.  Por certas coisas, o choro; por quase tudo, o riso. Tu és o bobo da vida, menino lindo.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Tardes (Crônica)

A tarde ensaia ser a mesma- nem perfeita ou tão insatisfeita. Já acostumada a ser coluna do meio entre as manhãs e noites, flui acomodada, desatenta, parece que deseja entregar - se à noite com pressa. Os vergéis ficam alaranjados, a menina resfolega e transpira, o cão branco dorme... A tarde nao se esforça, parece mais com as redes sob coqueirais, fatiga o homem do campo, esnoba o da cidade. A tarde cai num estou nem aí, o sol que me deixe, que a lua me penetre e as estrelas me empolem... Num tchau , despede- se dispersa, desidiosa, mas não mais que os homens ansiosos pela espera da noite. Ah, os homens! Não cansam de suas esperas e sonhos! E já se fez tarde...

sábado, 19 de outubro de 2013

A Vinícius

Eu me emplastro da pequena poesia de morte, mas também na bossa que é a vida, no incerto que viria... Digito ideias num véu de corpo inteiro, e quanta sorte, durmo no leito das  tardes e mares de Vinícius.
Porque minha alma dança na  paz, meio que jaz na  música que me escuta, emudece e transfigura, pois são coisas tão boas,  algumas antigas demais, num Vinicius de novo em mim. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O vento da tarde

O vento  da tarde de quase noite- Meio açoite, meio carícia, mas  era mesmo o vento. Tinha a cor laranja do tempo, de um pensamento novo errante e, por um instante, pensei em me perder voando. Confesso- naquele dia, tive inveja do vento- sem destino, desleixado,  sem início ou fim, apenas brincava lá no alto.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Verso Inteiro

A poesia mais forte é o meu dia a dia- é o toque de tudo, o olhar, a fome, os fatos , o chão. Não preciso mudar o dormir ou o amanhecer- viver me satisfaz feito verso inteiro.

domingo, 24 de março de 2013

O regresso do verso de mim

O regresso do verso de mim fez- me em pedaços, em grãos de horas, dias e vontades espalhados pela sala...

Um tal progresso de menina que faz sonhar, juntar o pó de qualquer grão, um som que parte um coração, nasço e morro cheia de não sei o quê- querer? Talvez seja...Talvez seja só a euforia duvidosa da vida, feito falso verso e não- lido: falso regresso do verso de mim.

Poeta Cretino

Eu busco o riso, a rosa murcha, a ferida e a dor... Mas a dor que gargalha, a dor falsa de toda poesia, bem mais alegre que a alegria da vida, pois segue impunemente inventada...E ninguém presta contas sobre o crime- a falsidade ideológica de todo poeta cretino.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Seguindo...





Quero seguir pássaros de luz, nuvens sem volta, tempos restantes, vidas infantes, ventos e instantes.

Quero seguir para nunca mais voltar, seguir feliz rumo ao
 infinito de um olhar, partir, ir, perder as noções de um razoável absurdo que mora vorazmente em mim.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O cheiro da música

A música cheira a riso, paraíso e sextas- feiras.