sábado, 14 de abril de 2012

Olhos de cera

Olhos de cera marrom, derretida, brilhando ao longe, sob o sol cerrado, e que olhos lindos, meu Deus! 

E eu me liquefaço feito cera no fogo, ardendo, morrendo na cor  absurda e, na sombra sobre a calçada, o sol já perdeu o rumo,  cintilando, meio céreo, marrom de olhos.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Deixem seus filhos em paz! ( Não à alienação parental)

Filho não é fantoche- precisa de pai e de mãe, dos nomes e das gentes de suas famílias. 

Filho não é o seu espelho, é um ser que precisa de cuidados, verdades e afagos. 

Filho não é fuzil, não é fuga, não é culpa, é filho...

Aprenda definitivamente- filho só quer ser amado em paz, apesar do pai ou apesar da mãe, nascendo sem o peso dos malresolvidos, e que o deixem assim, longe das guerras que os adultos criam. 

Postagem

Nada tenho para postar...Eu te peguei, hein? Aguentas aí o meu vazio e o frio da incompetência para atualizar um blog? Tá difícil, não é? 


Sei que estás decepcionado - e eu com isto, mulher? Nunca mais volto para este teu lugar inepto ...Lerei um escritor de verdade. Fui!  


Oh, tenhas paciência!  Juro que não mando nestas meninas lépidas, as letras! Hoje elas estão em greve, mas só comigo, poxa! Voltes sempre ou nunca mais...Agora deu medo! 

As Saudades


Existem as doidas saudades e as saudades doídas...Dizem que as últimas são uma ausência danada!

domingo, 8 de abril de 2012

Noite de Páscoa ( Crônica)


 Era uma noite de Páscoa, tênue após uma chuva educada, um soprinho frio do tempo, um grilo cantando ao longe...A noite estava perfeita para um bom recomeço, trabalhar amanhã com uma energia de quem descansou na rede, na cama ou no chão...


Os hedonistas realmente se lambuzam no feriado com suas leituras, músicas, reuniões familiares, orações, refeições, filmes... O homem precisa de seus escapismos, do faz- de-conta, pois a morte não avisa com certa frequência, e o sopro da vida é quase imperceptível, só para quem gosta da arte de estar vivo.


Quem sorri no feriado também sabe sorrir no seu dia a dia, pois seu trabalho não é fuga ou desculpa para certos assuntos difíceis ou dolorosos. Aos que têm alguma crença religiosa, um período bonito para agradecer a energia ganha e as bênçãos em família...Semana Santa é uma espécie de Natal de início de ano- cheira muito a família,viagens, mas também a chocolate, velas acesas, vozes ungidas ao longe.


Só sei que a noite de Páscoa está mais linda que o dia...E, por incrível que pareça,deixei meu headphone encostado para ouvir aquele grilinho insistente...Não precisei viajar para lembrar que uma boa noite de livro se faz completa com apenas um grilo.


sábado, 7 de abril de 2012

O ex-noivo ( Crônica de 01 de 2005)

Era uma tarde com nuvens de ferrugem, clima quente e seco, meus lábios já cheios de fissura. Só pensava em uma coisa- água, água!


Fui àquele restaurante da esquina, cheirando a peixe,  mas só queria uma mineral sem gás. Vi um homem em pé, com sobrepeso, aloirado, já nos seus sessenta, pelo menos...Imaginei como ele deveria ser aos 30 ...Observei sua mão esquerda- 2 alianças, um olhar tácito, seu café era forte bem de longe.


Dei boa tarde ao vendedor, e o senhor aloirado me fitava, meio intrigado.Não, não era um olhar de interesse, mas de surpresa...Tenho a impressão de que sou parecida com sua ex-mulher, é isso, só pode...Ele me olhava tanto de soslaio, que me incomodei...Chegou a mim e disse: - Você é parente da Iracema Melo? Então, eu fiquei surpresa: -Sim, com certeza! Sobrinha.


-Notei pela tamanha semelhança...E ela, como está?


-Aposentada dos hospitais, duas filhas lindas...Infelizmente, enviuvou há 3 anos.


-Que pena! Eu também! Diga a ela que sou Lúcio, seu ex-noivo.


-Ok! - Não consegui prolongar a conversa, fiquei muito sem jeito. Pensei em quantas milhares de vezes ouvi falar neste nome, no dia em que ele decidiu romper o noivado em plena década de 70, em prol de um doutorado. Minha tia nunca o perdoou, casou  apenas para formar uma família, enterrando seus sonhos de mulher mais antigos.


Fiquei imaginando- Este aparente vazio de Lúcio seria pela viuvez ou realmente sentiu a falta de sua ex-noiva? O destino prega peças, não sei se digo o que vi, não sei...Deixo um final flutuando ou caço conversa com o destino?


Minha tia ri para mim, seus olhos negros lampejam ....Decidi contar :- Ué, filha! Mais de 34 anos! Você acha que ainda lembro dele? Seu tio foi meu verdadeiro amor, foi convivência, pura realidade!


Notei que Tia Iracema falou com uma voz meio embargada, retirando-se mais cedo...Fiz bem , fiz mal? Não sei, mas acho que adoro caçar conversa com o destino, mesmo o alheio...E notei o óbvio- Ela não o esqueceu... Achava que a realidade podia moldar sentimentos profundos, mas nem sempre...É uma romântica incurável e não dormirá bem, pelo menos hoje...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Finais e inícios

Eu faço das cinzas, do pó laranja, da ferrugem e mofo meus quadros mais lindos.Os finais se convertem em inícios, e as sombras realçam a luz. 


Gosto dos contrários e dos inevitáveis, dos bons acidentes e de falsos finais, pois tudo ainda continua, e você acha que acabou, criança? A arte são restos assustados, inclusive a de viver...

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pink Floyd ( foto by Mayara Carneiro)


Música que não caduca, que não cria fios brancos, e sim, coloridos, cheios de luzes.

Mentes sãs e estranhas, a arte reclamada pelo limbo do tempo, música e entranhas, o tudo e o nada que não se esgotam: misturam-se ao humano, aos sonhos e cantam.