terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Mulher de areia


Na brisa do fim de tarde , sou a tão encarnada mulher de verdade , beira-mar ,beirando à vontade , feliz bem mais pela metade.


Vendo o mar , mulher da tarde , sentindo a areia na brisa que me adorna e despenteia.

Sou a tão encarnada mulher de verdade, meio mulher de areia , ou quem sabe, uma azul sereia ,mas sou feliz bem mais pela metade.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O véu e a cigana


A cigana olhou as fissuras da minha mão e sorriu , sem nada a dizer ,mas logo ,logo chorou e me fitou surpreendida:


“Como você amou este homem! Mas eu só vejo um véu ...”


Dei-lhe uma moeda , não acredito em quem na sorte acerta , mas ela a rejeitou-" Digo só o que sinto ,eu sou uma mulher e não minto , sou cigana certeira ,não preciso de uma moeda derradeira."


Começou a chorar e a tremer ,a cantar e a antever-“Como amou este homem ! E ele sabe disso mais do que ninguém..."


Abandonou a minha mão , cantou nossa música ,sorriu calmamente , sumindo tão de repente. Sobre a calçada ,apenas um véu azul ,um papel com oração , e você na minha frente : “Como o amei!”

sábado, 27 de dezembro de 2008

A menina que lia ( À minha filha,ao livro "A menina que roubava livros")


Cada dia,uma fantasia do que seria...Uma letra com outra,casando-se tão rápido,formam o quê?




Isto era inventado,meio que sonhado,uma" história de cabeça",antes mesmo que aconteça...




Livros e pequenas mãos , gravuras e cheiro de páginas-cada dia,a menina lia,viajava sorrateira,cada dia mais ligeira.




Uma letra com outra,casando-se tão rápido,formam o quê? Meio que sonhados,livros,gravuras e um cheiro de bom dia.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

A ESTRADA AZUL


AQUELA CURVA AZUL, ASSOMANDO BEM LONGE , DÁ VERTIGENS, SE NINGUÉM ENXERGA O QUE VEM ADIANTE; MAS SE POR UM INSTANTE ACELERAR, POSSO PERDER O RUMO,O PRUMO, O SUMO TÃO RESTANTE.


PREFIRO PISAR NO FREIO, DEIXO AS RETAS VOAREM ATRAVÉS DE MIM-APENAS O MEDO DE NÃO VISLUMBRAR O QUE VEM NA CURVA E PERDER A DIREÇÃO.


ENTÃO, DESACELERO PARA NÃO PERDER O RUMO, O PRUMO, O SUMO DO INSTANTE, MAS PROSSIGO NA AZUL ESTRADA DE CURVAS E RETAS, METAS- SIMPLESMENTE , CORRO OU NÃO, E SE FOR PRECISO, OUSO SEGUIR ATÉ NA CONTRAMÃO.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

E deixa a vida me levar...( Minha homenagem ao livro "Doidas e Santas" de Martha Medeiros)


Por favor,minha gente ,ninguém é de “ferro” ou sempre "Madre Teresa de Calcutá”...Existem dias,ainda bem , em que não estamos para nada nem para ninguém.


Quem é que agüenta o tempo todo só pagar contas ,planejar viagens ,pensar em como vai dar conta do trabalho , ensinar os filhos , resolver milhares de outras questões do dia-a- dia e xingar os políticos? Isto é besteira ,imagine quem tem problemas bem mais palpáveis e frenéticos!


Então , um diazinho para quebrarmos os celulares ,despertadores,computadores,televisores e nossas cabeças pensantes é sagrado para a perpetuação da espécie. Precisamos zerar tudo,respirar fundo,acumular boas energias...


Sabemos que não temos resposta nem solução para algumas coisas ,mas temos a certeza de que podemos melhorar sempre...Não agradamos a todos ,ainda bem, pois seria patética e infrutífera esta vida. Aprendemos a gostar mais de nós ,juntamente com o duro aprendizado de dizer não ,principalmente se nossa consciência falar mais alto( Ainda bem que ela funciona de vez em quando...)


Simplesmente, hoje quero afrouxar o meu cinto de segurança, “ e deixa a vida me levar, vida leva eu”- como num pagode tão conhecido...Detesto pagode,mas tudo bem...Esqueça isto,ora! Pare com essas palavras amontoadas na cabeça , pelo menos hoje...


Zere tudo ,ria ,tanto faz ,hoje é seu dia ,relaxe ,Natal está vindo ,o Ano Novo também ,não faça promessas bobas , apenas viva o hoje e respire fundo –zere seu dia num retardo mental moderado, Bom Dia e Feliz Ano Novo! Ufa! Que alívio!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A menina que corre


A menina corre mais rápida que o vento ,mechas negras meneiam contra o tempo ,antes que cresça num piscar de olhos ,antes que caminhe meio contrariada ,desiludida nos pastos- ermos.


Voa pelo campo de folhas ,seu sorriso gargalha meio displicente ,o seu vestido aterrissa num azul inocente.


Mas as borboletas planam ,adornam céus e cabelos , e a menina é ainda menina-ainda não sofreu , ainda não sangrou, desconhece a lágrima que queima ,nunca perdeu um grande amor.


Antes que cresça num piscar de olhos, apenas uma menina que corre contra o vento, contra o tempo ,contra a sua mulher desiludida nos pastos-ermos.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Perfume de flor


As nossas vidas têm jarros recheados com as mais lindas flores :cores do arco-íris ,perfumes e sonhos ,espinhos embutidos.


Nossos cantinhos-canteiro:cada dia, uma flor nasce por inteiro, flor que resiste no vigor de seu cheiro, encara o espinho como um brincalhão- sorrateiro.


Girassóis,lírios e rosas- os melhores espinhos estão no caminho, mas as flores arregalam e nascem por inteiro ,vidas de cantinhos-canteiro , se viver é apenas um sonho de perfume de flor.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Flor amarela


Eu já lhe disse tudo-joguei a minha flor amarela sob a brisa mais fria , feito perfume de palavras soltas no seu espaço de menino –o que não passa , cresce, e já se forma amor.

Então, plante a amarela flor ou a despreze sempre no chão-cuidado com os espinhos , se o coração é mesmo um jardim; mas anseio que revolva a areia , na decisão de quem ama e semeia.

Eu já lhe disse até disparates , talvez um pouco de tudo-o que não passa é mesmo o amor , joguei a minha dor sob a forma de flor na brisa mais fria , densa noite que nos guia , destino ou desatino de uma flor amarela .

Feijão ( Se não gostarmos de nós ,tudo virará fuga ou engano)


Presa na fragilidade de seu corpo, bem que confessa- precisa de uma bela tarde ou , quem sabe , de um encorpado feijão.


Às vezes ,sente-se como um desnudo nada ,ela bem que atesta- basta-lhe um olhar no espelho ou a mais comovente paixão.


Quase sempre , seu olhar é meio esquecido , algo como se estivesse ferido , mas segue o rumo que sempre contesta...


Nem a mais suave enrolação , nem o mais encorpado feijão- ela só precisa de si mesma , sua cristalina essência-grão.

O céu continua


Eu não preciso de juras , provas ou documentos autenticados , lágrimas e poemas mais "rasgados".


Eu não preciso dizer ,basta sentir e me ter- assim como toda tempestade passa , o céu continua ,continuo sempre sua.


Não preciso de juras nem dos poemas mais "rasgados" , provas ou documentos autenticados-amor não se comprova ,vive-se por ele;basta senti-lo e tê-lo na continuidade de um céu; continuo sempre sua.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sonhei ...


Eu me vejo dormindo , brancos lençóis envolventes, cabelos dispersos nos ombros- apenas sinto como o amei.


Vislumbro, ao longe, aquele sonho à noite que me despertou – seus braços nos meus, meus beijos eram seus, eu não sei...

Mas eu simplesmente acordei- senti o gosto da desmedida do desejo , de esguelha me espreito, num querer feito defeito.

Sonhei na minha cama, cabelos dispersos nos ombros, o pouco virou sobras – fôlego do desejo , restos do sonho emaranhado, assim como seus braços nos meus, meus brancos lençóis,apenas sinto como o amei...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Medo de Avião


NENHUM GLAMOUR QUANDO ADENTRO NUM AVIÃO-PARECE MAIS UM GRANDE CAIXÃO LACRADO, CONDUZINDO-ME PARA ALGUM LUGAR DE UMA FORMA HORRIPILANTE.


ESTAVA EU,COITADA ,NUM TRECHO SÃO PAULO –BRASÍLIA, APARENTEMENTE MUITO TRANQÜILO ,QUANDO OS INFELIZES AVISOS LUMINOSOS DOS CINTOS DE SEGURANÇA SE ACENDERAM. DO INFERNO, UMA VOZ MACABRA DO HOMEM MAIS CORAJOSO QUE CONHEÇO:


- ESTAMOS PASSANDO POR UMA ZONA DE INSTABILIDADE METEREOLÓGICA. POR FAVOR,CONTINUEM COM OS CINTOS AFIVELADOS...


AQUILO TUDO NA MINHA CABEÇA ERA DECODIFICADO COMO: -NÃO SE PREOCUPEM...A MORTE É RÁPIDA.


ISSO JÁ HAVIA ACONTECIDO LOGICAMENTE ALGUMAS VEZES , MAS OS SOLAVANCOS DO AVIÃO NÃO ERAM NADA PRÓXIMOS DE UM AFAGO...E TOME MINUTOS QUE SE ARRASTAVAM COMO CORRENTES PESADAS...O AVIÃO ESTAVA EM PLENA CRISE CONVULSIVA GENERALIZADA.


NUMA ESTRATÉGIA DE DESESPERO ,COMECEI A CONVERSAR COM UMA PASSAGEIRA QUE ESTAVA AO MEU LADO ,SÓ QUE A COISA ERA MAIS OU MENOS ASSIM-

- VOCÊ VAI FICAR ONDE?

-BRASÍLIA

- E VOCÊ ?

-TAMBÉM ...É,É,É...

-TÁ TUDO BEM COM VOCÊ?

-NÃO,SEGURE MINHA MÃO,PELO AMOR DE DEUS!


O PALCO ESTAVA MONTADO- O AVIÃO NÃO DAVA TRÉGUA ,MINHA VISÃO COMEÇAVA A ESCURECER ,SENTIA PARESTESIAS PELO CORPO ,MINHA COMISSURA LABIAL ESTAVA DESVIADA , MÃOS QUE NÃO FECHAVAM ,NUMA CRISE DE PÂNICO EXPLÍCITA.


COMPADECIDA, A RECÉM COLEGA DO MEU INFORTÚNIO PEDIA UMA MEDICAÇÃO ANSIOLÍTICA. DITO E FEITO ,E SEM A MENOR BUROCRACIA- O MEU ESTADO ERA PRATICAMENTE MOTIVO PARA UM POUSO DE EMERGÊNCIA.


UMA HORA DEPOIS, NOTEI QUE ESTAVA AINDA VIVA E COM BRAÇOS ,MAS UM CHAMADO INUSITADO:


- POR FAVOR ,ALGUM MÉDICO POR AQUI? UM SENHOR NÃO ESTÁ SE SENTINDO BEM...



OLHEI BEM AO MEU REDOR ,IMPLOREI A DEUS QUE ME POUPASSE DE TAMANHO CONSTRANGIMENTO ,MAS NENHUM MÉDICO SE APRESENTOU.ENTÃO, TINHA MESMO QUE “QUEIMAR MEU FILME”,TORRANDO LOGO TUDO DE UMA VEZ:

- EU!

A AEROMOÇA ,PRATICAMENTE MINHA MÉDICA NO AVIÃO ,OLHOU PARA MIM NUMA INCREDULIDADE DESPIDA COM UM SORRISO INEVITÁVEL .

O POBRE DO PASSAGEIRO SOFREU UMA CRISE HIPERTENSIVA ,E GRAÇAS AO FATO DE EU ESTAR “CHUMBADA” DA MEDICAÇÃO JÁ INGERIDA,CONSEGUI MEDICÁ-LO E ESTABILIZÁ-LO ATÉ O POUSO.

VI QUE AQUELA VIAGEM TINHA SIDO LEVIANA-MULHERES COM LÁGRIMAS NOS OLHOS , SACOS LUBRIFICADOS DE VÔMITOS ,HOMENS COM CENHOS ,ROSTOS DA COR-DE-PAREDE. A CARA MAIS SAUDÁVEL PARECIA A MINHA - MEIO QUE RINDO ,DROGADA ,MEIO NO CÉU ,MEIO NA TERRA.


ESTAVA ME SENTINDO DESMASCARADA-A MÉDICA QUE PARIU UMA CRISE DE PÂNICO NO AVIÃO ,MAS NINGUÉM TINHA CABEÇA PARA REPARAR NISSO ,NÃO.


ENQUANTO ISSO,OS COMISSÁRIOS: "BOA NOITE! MUITO OBRIGADO"!


sábado, 6 de dezembro de 2008

Nossos filhos



Nossos filhos são cernes do nosso coração vivinho pelo mundo. Às vezes ,temos um zelo sufocante ,e eles dizem ,resolutos: -Somos cuidadosos ,mãe! Pode deixar... Eles têm geralmente uma personalidade inacreditável ,freando nossas sutis neuroses.



Frutos de um amor altamente concentrado , existindo algo em nós que ainda lutamos – deixá-los viver, deixá-los mais soltos ,se eles, de fato, não são nossos , serão sempre do mundo.



Que coisa mais paradoxal ou louca mesmo!Saiu de mim , cuido deste “toquinho”,mas não é meu...E não vale projetar anseios ,se o amor cresce na liberdade de toda orientação...Que crueldade! Mas os filhos não são nossos , mas somente deste “mundo-cão”.Parecemos mesquinhos, mas achamos que somos um pouco mesmo , num egoísmo do controle remoto de ser mãe ou pai . Sei que eles, um dia, serão genitores e dirão também:



-Meu Deus , como assim? Minha filha tem que voar ,cair ,desabrochar? Deixa pelo menos eu colocar um amortecedorzinho ,seu mundinho?



Nossos filhos se desprendem de nós quando “o ser necessário” vira mais desnecessário , como pude ler num blog lindíssimo de um conhecido meu, chamado Luís... Que daremos a felicidade aos nossos filhos quanto mais formos desnecessários com o tempo. Sempre soubemos disso, mas na pele é meio esquisito, numa vida cheia de contradiçoes necessárias para se perpetuar.



E assim ,a "roda viva" segue...Nós mesmos somos cernes dos corações de nossos pais , fazendo nossa história ,nossas horas. Desejo o mesmo para minha filha ,mesmo querendo viver um pouco grudadinha nela, mas o futuro a espera ,numa lição que os pássaros nos dão: cumpri minha missão ; felizmente, espero que você sirva ao mundo , filha. Voe para viver!


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Complicados ( Minha homenagem aos casais complicados de plantão )


Eu queria te dizer tantas coisas , mas as palavras brigam dentro de mim-nada é tão simples de dizer , nada se esgota tão rápido assim , até numa história de “mão beijada”...


E assim , eu fico louca pra te dizer milhões de frases , mas as palavras brigam dentro de mim...


O meu desejo resvala no abismo do caos , não se esgota no simples , realiza-se no composto.


Eu queria te dizer tantas coisas , mas tudo é tão difícil pra mim , começando por nós dois , complicados assim – decompostos no composto.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Tempo


Ah,o tempo...Brinquedo de passatempo , segundos de momentos , dias e noites se entrelaçam numa ciranda.



Ilude numa aura de magia , torna-se até a mais virgem alegria –um amigo ou a dor mais ferina.


Abrace a sua hora , sua sina teima em ser o agora , a vida solta em um segundo...



Ah, o tempo...É um passatempo de momentos , talvez apenas a magia de um pensamento abraçando a hora , regateando com o calendário lá fora...

Espelho dourado


Às vezes, desconheço-me num espelho dourado , ou quem sabe, prateado , combinando com o brilho dos meus olhos.


Não sei...Sou esta mulher de olhar decidido , num trejeito favorito ,convencida por se ver?


Sim ,eu piso firme , olho para mim e sinto-me meio assim- dourada .


Há dias que me emplastro de ouro , muito mais que um tesouro;outras vezes, de prata ,meio lata , não valho quase nada- reveses; eu me desconheço no espelho dourado , ou quem sabe , prateado.

domingo, 23 de novembro de 2008

A feia ( A ditadura da beleza massacra ...)


No nosso mundo contemporâneo-automático-instantâneo-eletrônico, ser feio de doer virou uma afronta social a todos os seres bípedes que enxergam.


Sobrou para uma das representantes de um mundo marginalizado e cruel -Mulher de uma feiúra de nascença, Mara sentia , desde a sua mais tenra infância , que ninguém queria ser seu par na quadrilha;nas festas de halloween, diziam em meio às chacotas, que não precisava de máscaras...Essa pérolas típicas de criança , que pelo grau de autenticidade, podem chegar ao extremo do sadismo.


Na adolescência,uma timidez praticamente reacional. Os bailes , sempre constrangedores-nenhum idiota cego ou de pouca auto-estima numa petição por uma dança...No máximo , era vítima de apostas para quem pegasse a mais feia da festa ; quando caminhava pelo salão,ouvia insultos- BUM! Sempre aquela onomatopéia familiar,referindo-se a bombas e canhões , além de engraçadinhos dizendo-lhe : "Deus me livre! Sai ,cão dos infernos”!


Ela era uma ostra disforme recheada de pérolas :inteligente, daquele tipo poliglota e que sabia falar de tudo um pouco, cuidava de seus amigos e familiares, não era vulgar como algumas belas de sua turma e extremamente doce.Mas , quem gostava de beleza interior com uma cara dessa de porco-espinho? 1,64m e 90 kg, cintura galinácea, olhos encovados ,nariz de abridor de garrafa, cicatrizes infinitas de acne...Sei lá ,não dá para descrevê-la direito , porque nada combinava com nada, perante os padrões de beleza atuais.


Sentia-se como uma escória social ,um esgoto a céu aberto em que as pessoas atravessavam-no num pulo já esquecido.


Mas,sempre existe o ápice de um estorvo-Estava humildemente encostada num canto de uma casa de forró , quando um "cabra", no último estágio de embriaguez,pediu-lhe uma dança, cuspindo a esmo , trôpego quase numa síncope:

-Vamos?


-Não,obrigada! - Desconcertada,porém sempre educada.


-Tou fazendo uma caridade,viu? Porque tu é feia,hein? E não é pouco!Tou bêbado, mas não tou doido!


Aquilo ali foi o apogeu de sua crise existencial-até um ébrio quase comatoso! Sua feiúra era imune às mais pesadas doses de cachaça...Ou ela se conformava ou mudava a situação de maneira radical- dito e feito.Resolveu fazer uma cirurgia plástica do tipo” eu não me suporto da cabeça aos pés ".


Não é que a ostra transfigurou-se em pérola? Os homens lhe perguntavam:


- Como é que uma mulher assim , tão fascinante, passou despercebida?

Fingindo não entender: - Também não sei...






sábado, 22 de novembro de 2008

A fada da lua ( conto infantil)


A fada da lua fazia parte de uma lenda no pequeno vilarejo da floresta Elbo. Há mais de 220 anos, ninguém tinha notícias dessa entidade de alma lunar.


Até que um dia, Luana, menina esperta nos seus quase 6 anos de vida , avistou um brilho incandescente no jardim de sua casinha modesta.


Muito mais de 9 horas da noite , ela ainda não tinha abraçado sua cama cor-de-rosa , apesar das inúmeras recomendaçoes de sua mãe .Tinha pavor deste verbo dormir, apesar de ler tantas estorinhas divertidas antes de se entregar ao amigo sono.


Voltando à fulgurante visão,uma linda menina que aparentava uns 10 anos,olhos pardos de jabuticaba,vestidos similares a tules sobrepostos num brilho prateado de lua cheia ,voz das águas do mar ,cabelos ondulados num cândido azul- celeste.


Apesar do pânico de Luana, esta não conseguiu esboçar reação, e ela, num sorriso familiar , disse:


- Sou eu mesma, a Fada da Lua.Apareço para meninas que têm o significado do meu nome e que lêem livros coloridos.


-Mas eu já tou indo dormir...Boa noite! – disse-lhe Luana quase crendo que estava num sonho em fuga.


-Peraí,Luzinha,vamos contemplar a lua cheia! Voe comigo que vou lhe mostrar um segredo.Então ,com o menear de sua varinha de condão,estavam na lua.Luana se assustou com a quantidade de buracos naquele lugar e logo se sentiu à vontade:


-Fadinha,o que houve aqui?


-São os pedidos errados que os homens fazem , destruindo minha casa quase toda...É como um raio laser destrutivo azul-só pensam neles mesmos e nas coisas que podem ter...Não pensam nas crianças e adultos doentes do corpo e da alma ,mas se o fazem , nada fazem.

Estou intervindo através do seu bom coração e pedindo que os adultos usem direito suas varinhas de condão .

- Vá dormir e conte isto para quem encontrar primeiro.

Delicadamente,sumiu feito estrela e dormiu sobre a lua. Luana acordou cheia de um glitter azul no cabelo e contou tudo à sua mãe.

Não era sonho-a rainha das fadas cumprira sua missão.Os adultos agora sabiam que podiam fazer mágica na vida de alguém...Bastava uma atitude não egoísta para mudar a floresta Elbo,enegrecida e turva de tanta maldade . Mas , graças à fadinha, a paz reinara por muito tempo e todo elbonense acordava com um glitter azul no cabelo.


Nunca mais a lua fora a mesma-sempre cheia, lisa e sem tonalidades escuras;
empurrando as marés e fitando a Terra . Para sempre, a fada pôde viver em paz com os pedidos azuis dos homens, agora num raio laser de festival de música sobre sua cama.















quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Impressão ( poesia antiga do multiply)


Preciso das suas mãos - senti-las no sinuoso relevo das impressões digitais e no pulsar das suas artérias .

Vira e volta , envolta nos seus braços , na segura leveza desta impressão , impressão de que nunca mais partiremos - impressão tão digital

domingo, 16 de novembro de 2008

Salto alto ( Gostamos de saltos...Futilidade mais glamourosa que esta,simplesmente não existe...)


O SALTO ALTO DE UMA MULHER É A TORRE DOS CASTELOS MODERNOS , MEIO ALTAR-CAMPANÁRIO , A MAIS COSMOPOLITA FEMINILIDADE.


ELE SE FUNDE COM O PODER DOS NOSSOS SENTIMENTOS,INTUIÇÕES E DESEJOS, SOB OS PÉS DE NOSSOS MOMENTOS.


É O FEMININO CADA VEZ MAIS , SALTO 10 DE CRISTAL , FEITO PRINCESA MODERNA-COSMOPOLITA .

Amor tranqüilo


Sonhei com as árvores milenares verde –bandeira ,


Com o luar flutuando nas vagas em alto- mar;


Com o orvalho chorando na janela sob nuvens preguiçosas;


Com a brisa num carinho de um espírito tranqüilo;


Até mesmo com a estrela vespertina amiga das luas.



Beijos de chocolate , porque ainda sou tua; natureza em festa, esperando por nós , na sintonia do prazer.


Ainda nos resta a brisa de um amor tranqüilo num sonho de árvores milenares, choro do orvalho na janela , aurora de um novo amanhecer.


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Quase nada


Vânia era uma dessas adolescentes inteligentes , descoladas , que mascavam chiclete de boca aberta, olhos azuis meio indiferentes , jeito tão taxativo de uma personalidade ferrenha.


Seus namoros eram tópicos enigmáticos , com términos sem um mínimo de nexo ou drama: - Sei lá,ele deu um espirro tão fino , que parecia um gay...Aquilo ali acabou com tudo...


Dois anos depois , outro irracional fim:- Ele era baixinho e inventou de abrir um guarda-chuva preto , daqueles de filmes dos anos 50.Simplesmente, sumiu lá dentro...Ah,não...Oh homem fraco!


Seis meses , outra empreitada: -Ele me olha tão zonzo de paixão , que tenho uma vontade louca de enforcá-lo ...Grudento , só diz mô e ri , ri e mô...


-Só fala em cirurgia e em flamengo...Cabra bitolado,só porque é médico ... Exibido!


Mas, o destino é um sacana fanfarrão,gosta de tirar sarro de quem o desafia,e um belo dia:


-Minha filha,largue este homem!- disse-lhe Dona Vera,praticamente implorando pela enésima vez.


-Mãe,só porque ele foi preso por aquela besteira há 2 anos? Paciência ! Ele era muito novo ! Viu como os filhos dele são lindos? –falava praticamente comovida.


Quem diria,quem diria...Para abusar alguém ou se apaixonar, basta quase nada.






quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A Ciumenta


ELA QUERIA , A TODO CUSTO, FAZER AQUELE JOGUINHO INFANTIL –ÓBVIO-BURRO-ADOLESCENTE COM SEU NAMORADO , QUE ESTAVA MAIS PRA LÁ DO QUE PRA CÁ... TUDO QUE ELA DIZIA OU NÃO , FAZIA OU NÃO ACONTECIA , ERA SEMPRE UM TANTO FAZ COMO RESPOSTA.


MARA ERA UMA PROFESSORA ABNEGADA DE ESCOLA PÚBLICA , GANHAVA SEUS TROCADINHOS COM A LÍNGUA SEMPRE SECA DE PAPAGAIO NO FINAL DO DIA , MAS IA TOCANDO MUITO BEM A VIDA...MAS , O BICHO TAVA PEGANDO -30 ANOS , 10 QUILOS ACIMA DO PESO PRÉ-NAMORO , DOBRAS E MAIS DOBRAS , INCLUSIVE NO ROSTO. ELA IGNORAVA A MÍDIA , MAS ATÉ QUANDO UMA MULHER PODIA SE AGÜENTAR NO ESPELHO?


EM CONTRAPARTIDA , JUSTIVAN , QUE ERA MAGRINHO ,FRANZINO , SEM GRAÇA , AGORA COM UM CORPÃO ,JEITO MADURO NOS SEUS 32 BEM VIVIDOS ANOS. VIGILANTE , VIRIL E MUITO OBJETIVO EM TUDO , MAS TAMBÉM ÀS VEZES UM DOCE NAS HORAS MAIS IMPORTANTES.


DAÍ , VEIO AQUELE DEMONIOZINHO QUE TODA MULHER TEM UM POUCO, DE FORMA PSICOPÁTICA OU NÃO- O CIÚME. ENTÃO , INVENTOU UMA VIAGEM DE ÔNIBUS PRA SUA TERRA LÁ EM ALAGOAS , E DEPOIS DE 1 SEMANA , ARREMATOU-“ SABIA QUE UM HOMEM , DO NADA , DEU UMA LARANJA PARA EU CHUPAR?”


- E “TU ACEITOU” ? PARABÉNS,BICHINHA! “TU NÃO ACORDOU” NUA DE PERNA ABERTA COM UM BOA- NOITE- CINDERELA? “


ELA EMUDECEU COM A FEIÇÃO DE SEU NAMORADO SEM UM PINGO DE CIÚMES E NUM DEBOCHE SÓ...


ENCUCADA , 1 SEMANA DEPOIS RESOLVEU CONTAR QUE O JAIRO TINHA DADO EM CIMA DELA , UM CONHECIDO POLICIAL DO DP DO BAIRRO , DE OLHOS EFUSIVAMENTE VERDES , 1.90M , CALMO E MUITO CULTO.


ELE DEU UMA RISADA TÃO ESPOCADA , QUE O PÃO DE SUA BOCA SAIU EJETADO NA VELOCIDADE DA LUZ - “MAS ELE É GAY , TODO MUNDO SABE! E , COMO NÃO ENTENDE DE MULHER , SÓ DÁ EM CIMA DE MULHER FEIA...”


SEUS OLHOS INSTANTANEAMENTE FICARAM VERMELHOS E UM SOLUÇO SORRATEIRO INVADIU A SALA. JUSTIVAN , CHEIO DE REMORSO DENGOSO , DISSE-LHE: “MINHA PORQUINHA , DEIXA DE SER BESTA , EU AMO SÓ VOCÊ!” CHORE NÃO , EU TOU AQUI! QUEM ENSINOU ESSA BABOSEIRA DE PROVOCAR CIÚMES ,HEIN?”


ELA NEM CONSEGUIA FALAR , A SALA ESTAVA ALAGADA DE CHORO, E UM SORRISO ESCONDIDO NO OMBRO DO AMADO-“ FUNCIONOU...”



quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Navalha quente ( Ao meu querido Lucinho )


Existe uma navalha quente entre nós- a pele  trinchada e ardida , palavras refeitas e , no vácuo , perdidas;desejos repletos, sentimentos falidos.


E , no hiato de nós dois, a dor do nada mais ocorrido- navalha quente  numa distância que se fez cura da pele , sentimentos repletos, negativos, positivos e neutros, se a resposta ainda não se sabe...



terça-feira, 11 de novembro de 2008

A sede do coração do homem


O nosso coração tem uma oculta sede do Divino e do outro , dos mais ternos sentimentos que abraçam o tamanho do universo num inverso do egoísmo mais ancestral .


O passado se foi numa estrada cheia de passos como um inestimável dicionário de bolso das novas páginas de um livro ;o presente , o poder do corpo e da alma nos pedaços de segundos.


Sempre melhores que ontem , sentimentos que abraçam o tamanho dos mundos ,vivendo e aprendendo com a simplicidade das crianças adornadas com sorvete – lambuzadas tão felizes,numa existência fortemente atemporal , inverso do egoísmo mais ancestral

sábado, 8 de novembro de 2008

A lua e nós( É um poetrix,na realidade....)


Segure a minha mão sobre a sua
Já me sinto sua e nua
na lua nua sobre nós

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Os alcoviteiros ( Uma crônica sobre a tradicional família brasileira...rsrs)


Ahhh...Aquelas reuniões de família eram um martírio , com forca e tudo , de uns poucos marginalizados do clã Pires .

Vera , 35 anos , solteira por um tempo indeterminado , o protótipo da desgraça de uma mulher , vítima dos olhares mais penosos das primas buchudas e adornadas com filhos.

-E aí ?


-E aí o quê? - Ela já sabia da infame pergunta que não queria calar , se já tinha arranjado alguma coisa que caminhasse do tipo XY. Ninguém a entendia , mas como podia? Como ela agüentava...?Ninguém acreditava , mas sentia-se feliz , porém os alcoviteiros não a deixavam por muito tempo...

-Lembra da Maria , aquela que era bonita? Hoje , 45 anos , coitada , parece um maracujá , até diabética ficou, toma remédio "controlado",só fala alto e zangada... Tá lá, tudo porque é "encalhada" e sem filhos...Corra logo!

Mas,para quem pensa que o inferno provinciano só atingia a ala feminina,um outro marginal assomava na sala- Mário,37 anos,solteiro,nunca nem por acidente um filho ou um "rolo" mais sério,mas incrivelmente macho.

-Rapaz,que diabo é isso? Tanta mulher! "Tu quer"isso ou não "quer"?

Estavam até preparando o espírito de Dona Cíntia , sua mãe , para uma confissão "novelesca" após 10 garrafas de cerveja.

Mas, a pobre verdade soava como mentira,ninguém acreditava que a felicidade podia ser diferente da sua -para sempre , a recalcada Vera ; Mário , uma libélula brilhante pronta para "abalar";os alcoviteiros , casando e seqüelando meio mundo...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vida,a ladeira verdadeira ( Quem disse isto foi um empacotador para um caixa...Gostei da frase e,na vida de dona-de-casa ,pensei nele e em nós...)


A vida é a ladeira verdadeira , às vezes dá uma espécie de “canseira” nas pernas e mente, um vai- não -vai de jeito pendente.


E há quem tente subi-la sem tênis e num sol a pino;outros , levando e cantando sem sentir a derradeira lida.


É a tal da íngreme subida , mas sempre sonho com as ladeiras de Olinda -em pleno Carnaval , prazerosas e encantadas num sorriso de turista.


Que assim seja a vida-lindas ladeiras de Olinda , altos e baixos num levando e cantando , sorriso de turista em pleno Carnaval...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Chore mais não!


Menina, sinta esta dor , mas não a alimente com a mais dura semente-ele deformou seu coração.


Chore mais não , aquela canção abre a vala da mais triste sensação...Melhor , não...O melhor é o samba na canção , pode ser de salto alto com o olho até vermelho , mas sambe até o chão , no salão do meio.


Menina , o amor não morreu , ele ainda a espera numa primavera qualquer , de uma nova mulher que tão bem se quer...


Para que tanto choro , se o tempo vindouro mostrará que nada foi em vão?Menina , de olho vermelho ,chore mais não! Numa primavera qualquer , uma nova mulher...

A criança e as nuvens


Nuvens-névoa num quadro-de-céu pincelado com flores, homens e um violão.

Aquela menina me chamou atenção-“As nuvens imitam mais o que se tem no chão”.E aí,num quebra-cabeça de caprichos celestes,juntavam-se as plumas e via-se sempre algo mais.

Somente o espreitar de uma criança enxerga as nebulosas brincadeiras que um Deus-pintor faz: matizes das coisas do chão,flores e até um homem abraçando o violão, quadros-de-céu num contorno lilás.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Mentiras e a humanidade ( Luís Fernando Veríssimo e situações do ser humano evocam a verdade sobre a mentira nesta minha simples prosa)


A mentira de verdade- escudo frágil da humanidade , covardes redes de proteção numa “casca de ferida” das moitas - falha , contos de bruxas tão sem fadas.

Enganos adormecendo na alegria , meia- verdade de uma mentira , fantasia de vida sem erros ou dor- eu não sabia , amor...

E , mais uma vez , a língua consonante com devaneios sem os melhores meios , mentiras de curtas pernas , fuga de olhos num piscar -isso é inveja , por favor!

O homem não cansa de enganar; não sabe sofrer nem desagradar , a mais pura verdade da mentira-contos de bruxas tão sem fadas ,"casca de ferida" das moitas-falha.

Seu beijo


Quero o peso da sua boca na minha , numa peleja de lábios brincalhões , a sensação única de um dia mais inteiro...


Não por um simples e sorrateiro beijo , mas você tão entregue no meu rosto...Ahh !O peso da sua boca e que gosto!


Eu , meio zonza num carinho , não descanso sem o seu beijo no meu , paixão de um dia mais inteiro , a vida inteira por um beijo seu...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Nada( Esta poesia é também mais antiga...)


Conduza-me à incógnita do nada...Tudo já passou, mas e você, no oco recheio dos meus nadas?




Sobre nós,quer que eu diga tudo? Explícita incógnita : O nada pelo nada,o nada que diz tudo...

Acalanto ( À minha filha)


Minha filha ensinou-me a cantar baixinho,contar seus dedinhos,relembrar cores do arco-íris.

Fadas e príncipes,cirandas e bonecas-antigos acalantos das melhores infâncias,bem no pé-do-ouvido,se for preciso.

Pude entender,tive que sentir-sou o eterno anseio pelo seu sorriso, sua mão- de- mãe num sono mais tranqüilo,ninando bem baixinho seus sonhos de acalanto
.

sábado, 25 de outubro de 2008

Buraco negro(Minha homenagem ao livro não recente de Lya Luft-As parceiras)


Eu me perdi nas valas mais profundas , num universo que mal cabem meus pensamentos...


Carrego o peso da infinitude mal explicada , um buraco negro sem janela e escada -o tudo sorvido ,mas nada se distingue nos ocasos da história.


Eu ,confusa em algum lugar obscuro,às vezes tão escuro , meus pensamentos escoam sugados.


Além da extensão do universo , carrego o peso da infinitude mal explicada ,misterioso buraco negro girando - eu , perdida em mim , chorando...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sem pé e sem cabeça


Não acredito que me desmontei feito quebra-cabeça sem cabeça , somente pra te conquistar...

Botei , ligeiro , um batom vermelho mais encarnado que o meu beijo , pra pelo menos te assustar...Mas , nem assim , num perfume de jasmim ,olhaste pra mim...

Então , nada feito ,fiz tudo direito ,o amor é assim –nem vermelho ,nem jasmim;apenas sem pé e sem cabeça.

Covarde


Não sei , sei não...O problema é o coração quando escuta aquela canção-não se assume , mas consumido de paixão.

Sei não ,não sei...O problema é a canção quando escuta o coração.

Acho que entendi: O problema sou eu ;a canção e o coração deram ouvidos a mim ,virei problema sem solução.

Na dúvida , melhor culpar o coração ou a canção...Eu ,não...

Bem ou mal...


Um dia ,se cruzar meus olhos com os seus ,não diga tudo bem ,se saberei que , de alguma forma ,nada mais além -sei lá ,bem ou mal...



Esse alguém ,você além de mim , não pôde ver:Se cruzar seus olhos com os meus...



Finjo até a mais abrupta cegueira ,mais um caldinho de doideira , pensamentos nascem a esmo- Se o vir ,não o vi; nada mais além , e estará tudo bem ,bem ou mal...

Menina imaginária


Uma menina sozinha , a bola cor- de- rosa contra a parede , rebatida pela amiga invisível verde.


Ela joga revidando ,fala replicando , contramão da vida real –não tinha medo ,seu olho azul era uma caixa de segredo ,aprendeu a ver além das palavras.


Ao invés de um mero brinquedo ,uma invisível amiga de florido vestido ,sorriso-glitter numa tez luminar ,jeito doce e fácil de gostar.


A verdinha mais visível já vista por lá- dizem que procura meninas distraídas , de olhos num permeio azul ,sem medo de esconde-esconde e de bolas fortes...Eita , mas que menina imaginária de sorte!

Feliz( Eu,totalmente derramada nesta poesia)



Sou aprendiz ainda dos velhos quadros –de- giz: Ser feliz , sempre espero e quis...


Dias nascem no firmamento - num tormento que deforma o rosto, respingo o meu verniz ,reformo a minha casa , cheiro de flor-do-campo , janelas que abraçam o vento.


Você sempre chega no meu momento quando a noite bate à porta ,quando sonho com o seu alento...


Eu ,caloura da vida ,aprendiz das manchas de giz... E ainda veio você numa embalagem inusitada de destino ,tudo que eu sempre quis-por ser feliz , tão feliz!

A sonsa( A hipocrisia humana não tem hora nem lugar...)


Respingos de vinho ,aroma de volúpias no corpo do homem , lambidas embriagadas desferidas por essa tal mulher...

Apenas uma leviana de nascença , criatura de trejeitos sóbrios e sérios , falava baixo e apenas sobre amenidades.Era a mais politicamente correta da cidade-cheirava a vinho , naturalmente para uma serva de Deus na Eucaristia...E ninguém descobria...

Bastava-lhe um cerne de carne ,dentes e lábios , línguas e respingos - felina da noite , beata das manhãs num terço azul , não lambia direito nem sequer um sorvete , imagine aquele homem-Deus me livre!

Trejeitos sóbrios e sérios , lambia e rezava , cheiro de vinho na homilia , mulher de categoria-rezava e lambia...E , graças a Deus , ninguém sabia...Felina da noite , beata do dia.