sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Amarelo

Sim, a luz amarela em frente àquela casa enfeitava a rua, pois a casa se tornava também amarela. Parecia mesmo de boneca. Tudo, logicamente, por causa da luz. E eu me apaixonei por aquela rua, espiei o ângulo da esquina, caí no conto da cor, porque a minha retina reconheceu o singelo- o amarelo. E aquilo tudo pareceu  tao meu, que já me pertencia,  inclusive aquela casa de contos da infância. Não sei o que minha percepção veio fazer, mas amei o amarelo como se o visse bem devagarinho: A-MA-RE-LO. 

domingo, 17 de novembro de 2013

O sono de Luana

Enquanto os  fios de seda rasgam nuvens, o céu azula num profundo, e a menina dorme sem sentir que a noite enegreceu... E nem gemeu, não abriu os olhos, , apertou a  sua boneca com força e dormiu de ladinho... E a noite parda agradeceu... Luana nem teve medo do escuro, apenas sorria- estava sonhando com coisas cheias de cores, coisas pequenas, grandes e secretas das infâncias,  inclusive com estrelas azuis da noite. A lua ,daí por diante, aprendeu a lição- anda lentamente e na pontinha dos pés .... Tudo porque tropeçou desajeitadamente sobre uma estrela ,e Luana acordou chorando com o estrondo da bolota...  Um horror ! Ninguém do céu noturno terá pressa enquanto a menina dormir... Boa noite! Noite boa e longa de criança, sem lágrimas ou medo, Luana .

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Tardes (Crônica)

A tarde ensaia ser a mesma- nem perfeita ou tão insatisfeita. Já acostumada a ser coluna do meio entre as manhãs e noites, flui acomodada, desatenta, parece que deseja entregar - se à noite com pressa. Os vergéis ficam alaranjados, a menina resfolega e transpira, o cão branco dorme... A tarde nao se esforça, parece mais com as redes sob coqueirais, fatiga o homem do campo, esnoba o da cidade. A tarde cai num estou nem aí, o sol que me deixe, que a lua me penetre e as estrelas me empolem... Num tchau , despede- se dispersa, desidiosa, mas não mais que os homens ansiosos pela espera da noite. Ah, os homens! Não cansam de suas esperas e sonhos! E já se fez tarde...

sábado, 19 de outubro de 2013

A Vinícius

Durmo no leito das tardes de Vinicius sob um vento branco de praia, onde a palavra se faz melodia, pois são coisas tão boas, algumas antigas demais num Vinicius de novo em mim.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O vento da tarde

O vento da tarde de quase noite- Meio açoite, meio carícia, mas era mesmo quase uma ilusão. Tinha a cor laranja do tempo, de um pensamento novo errante e, por um segundo, pensei em me perder voando. Confesso- naquele dia, tive inveja do vento- sem destino, desleixado,  sem início ou fim, apenas brincava lá no alto.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Verso Inteiro

A poesia mais forte é o meu dia a dia: o toque de tudo, o olhar, a fome, os fatos, sentir o chão e o pó das estrelas.  Não preciso mudar o dormir ou o amanhecer- viver me satisfaz feito verso inteiro.

domingo, 24 de março de 2013

O regresso do verso de mim

O regresso do verso de mim fez- me em pedaços, em grãos de horas, dias e vontades espalhados pela sala, tudo em pequenos pedaços de gente em cada grão de alma.