Sim, a luz amarela em frente àquela casa enfeitava a rua, pois a casa se tornava também amarela. Parecia mesmo de boneca. Tudo, logicamente, por causa da luz. E eu me apaixonei por aquela rua, espiei o ângulo da esquina, caí no conto da cor, porque a minha retina reconheceu o singelo- o amarelo. E aquilo tudo pareceu tao meu, que já me pertencia, inclusive aquela casa de contos da infância. Não sei o que minha percepção veio fazer, mas amei o amarelo como se o visse bem devagarinho: A-MA-RE-LO.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
domingo, 17 de novembro de 2013
O sono de Luana
Enquanto os fios de seda rasgam nuvens, o céu azula num profundo, e a menina dorme sem sentir que a noite enegreceu... E nem gemeu, não abriu os olhos, , apertou a sua boneca com força e dormiu de ladinho... E a noite parda agradeceu... Luana nem teve medo do escuro, apenas sorria- estava sonhando com coisas cheias de cores, coisas pequenas, grandes e secretas das infâncias, inclusive com estrelas azuis da noite. A lua ,daí por diante, aprendeu a lição- anda lentamente e na pontinha dos pés .... Tudo porque tropeçou desajeitadamente sobre uma estrela ,e Luana acordou chorando com o estrondo da bolota... Um horror ! Ninguém do céu noturno terá pressa enquanto a menina dormir... Boa noite! Noite boa e longa de criança, sem lágrimas ou medo, Luana .
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Tardes (Crônica)
A tarde ensaia ser a mesma- nem perfeita ou tão insatisfeita. Já acostumada a ser coluna do meio entre as manhãs e noites, flui acomodada, desatenta, parece que deseja entregar - se à noite com pressa.
Os vergéis ficam alaranjados, a menina resfolega e transpira, o cão branco dorme... A tarde nao se esforça, parece mais com as redes sob coqueirais, fatiga o homem do campo, esnoba o da cidade.
A tarde cai num estou nem aí, o sol que me deixe, que a lua me penetre e as estrelas me empolem... Num tchau , despede- se dispersa, desidiosa, mas não mais que os homens ansiosos pela espera da noite. Ah, os homens! Não cansam de suas esperas e sonhos! E já se fez tarde...
sábado, 19 de outubro de 2013
A Vinícius
Durmo no leito das tardes de Vinicius sob um vento branco de praia, onde a palavra se faz melodia, pois são coisas tão boas, algumas antigas demais num Vinicius de novo em mim.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
O vento da tarde
O vento da tarde de quase noite- Meio açoite, meio carícia, mas era mesmo quase uma ilusão. Tinha a cor laranja do tempo, de um pensamento novo errante e, por um segundo, pensei em me perder voando. Confesso- naquele dia, tive inveja do vento- sem destino, desleixado, sem início ou fim, apenas brincava lá no alto.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Verso Inteiro
A poesia mais forte é o meu dia a dia: o toque de tudo, o olhar, a fome, os fatos, sentir o chão e o pó das estrelas. Não preciso mudar o dormir ou o amanhecer- viver me satisfaz feito verso inteiro.
domingo, 24 de março de 2013
O regresso do verso de mim
O regresso do verso de mim fez- me em pedaços, em grãos de horas, dias e vontades espalhados pela sala, tudo em pequenos pedaços de gente em cada grão de alma.
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